domingo, abril 11, 2010

Guloseimas de Domingo



"Quando a ultima árvore tiver caído, quando o ultimo rio tiver secado e o ultimo peixe for pescado, voces vao entender que dinheiro nao se pode comer"

terça-feira, dezembro 01, 2009

Ecologia poética - Salve uma palavra antes que morra no senso comum!


Como pensar em ecologia sem incluir a preservação das palavras? E com a ecologia das palavras, quem se preocupa? E os lençóis subterrâneos da fala que são contaminados pelo sarcasmo, pelo cinismo e, sobretudo, pela indiferença, quem cuida de sua prevenção?

Corremos o risco de perder a natureza quando deixamos que a linguagem falasse em nosso lugar e não mais falamos por ela. Quando somente transferimos a responsabilidade de dizer e de nomear pelo ato de repetir.

Não é o comportamento que condiciona as palavras. Mas as palavras formam o comportamento. As palavras são o comportamento. Somos palavras.

De que adianta separar o lixo seco do orgânico se não separamos a linguagem orgânica da seca em nossa rotina? E a coleta seletiva da língua, onde fica? De que vale cuidar do desperdício de água se não cuidamos também do desperdício de linguagem? Não será igualmente criminoso usar palavras desnecessárias, sem entusiasmo, sem força de vontade, sem alegria, por descaso ou por descanso? Para ser compreendido e não pensar? Pela pressa, sendo que a pressa aumenta o esquecimento, inibe a lembrança?

Por dia, quantas palavras são reproduzidas desprovidas de sentido? Lançadas na terra como latas de alumínio, que demoram mais de um século para se decompor. Um lugar-comum é tão poluente quanto pilhas e baterias do celular. Expressões que nada têm de pessoal, que não permitem a descoberta ou o deslumbramento, estancam a circulação do afeto. Cessam o gosto de falar. Interrompem o gosto de ouvir.

Quantos fósseis são abandonados no cotidiano do idioma, quantos verbetes esperam sua chance de tratamento no aterro sanitário do dicionário? Será que não viramos fantasmas se portamos uma língua morta? Poderíamos latir, poderíamos miar, poderíamos uivar, tudo isso é ainda comunicação. Mas falar não é somente comunicar, é se comprometer com a direção do timbre.

Palavras são de vidro. Palavras são de metal. Palavras são de plástico. Palavras são de papel. Não se pode colocar todas com o mesmo peso, no mesmo destino. É preciso discerni-las. Uma criança me entenderia. Tolerância, por exemplo, é de vidro. Reboa por dentro. Faz volume antes de acabar. Não pode ser jogada fora, pois levará milhões de anos antes de virar pó. Respeito, por sua vez, é de metal. Inteiriça. Difícil de quebrar. Fala-se de uma única vez como uma lâmina. Condescendência é de papel, o acento vai lá no fim, suscetível aos rasgos da tesoura e das mãos ansiosas.

Soletre, veja, imagine. Deite a voz, não fique de pé. Assim como reciclamos o lixo, as palavras dependem da renovação. Mudara ordem, produzir significação, exercitar gentilezas, valorizar detalhes. Não deixá-las paradas, desacompanhadas, viúvas. Talvez seja daí minha incompetência em me desfazer do arranjo de rosas que recebo no aniversário de casamento. Desligo as pétalas do miolo e espalho as rosas nos livros. Fazem sombras para as frases.

É poluente dizer ao filho "nem se parece comigo" para ameaçá-lo. Uma convenção a que a maioria recorre para se livrar do cuidado, sacrificando um momento de particularizar sua experiência paterna e materna. Por que não procurar afirmar "você se parece comigo mesmo quando não se parece"? Ou há algo mais solitário e desolador que resmungar "eu avisei" para sua mulher quando ela erra? Mostra que já a estava condenando antes de qualquer resultado e atitude. Em vez de cobrar, por que não compreender? Transformar o lixo hospitalar (sim, corta-se um braço dela com essa sentença) em adubo de frutas com a simples concisão de "a gente resolve".

São períodos postiços, artificiais, fingidos, que corrompem a respiração. Ao encontrar um colega antigo, logo nos despedimos: "Vamos nos ligar?" Isso significa o contrário, não vou telefonar nos próximos três anos. Até que ponto não se emprega palavras para se esconder o que se quer, para disfarçar, para ocultar? Quantos sinônimos para não dizer absolutamente nada. Para se afastar do que realmente se desejava declarar. Foge-se da palavra certa pela palavra aproximada. Uma palavra vizinha não mora no mesmo lugar da verdade.

Palavra é sentimento. Mas - cuidado - as palavras não podem sentir sozinhas. Palavra é poder. Ao esgotar seu significado, esgotamos nossa permanência.

Fabrício Carpineja

sábado, novembro 21, 2009


Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental,alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.

Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então viraram e voltaram todos eles. Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:

- Pronto, agora vai sarar! E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos...

Talvez os atletas fossem deficientes mentais... mas com certeza, não eram deficientes espirituais...

Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos...

"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso".

(Albert Einstein)

sexta-feira, novembro 06, 2009


Ultimo dia de aula, mais ultimo dia de aula mesmo, não tem próximo ano como das outras vezes, não tem outra borracha nova nem quadro novo. Não tem a espera do próximo primeiro dia de aula com os amigos, agora cada um segue no seu caminho. Nossa como foi duro escrever essa frase: ‘cada um segue no seu caminho’ . Desde as fofocas divertidas ate as brigas bobas, nada mais. Não tem mais tempo de se ver toda manha pra descobrir como esta o humor da outra, como foi a sua noite, se seus pais brigaram ou se surgiu um novo paquera. Não tem mais tempo de regime coletivo. Não tem mais quem disborrar a maquiagem mal feita de tanto sono. Não tem mais nenhuma aula entediante de matemática! Não tem mais a escola, mais o amor vai ficar sempre com agente! Estamos ficando um pouco distantes mais a vontade de saber como a outra está, o desejo de querer bem, o nome incluso na lista de papai do céu abençoar nunca vai se acabar!

É impossível descrever esse ano. São tantas emoções.

É o ensino médio ta acabando. É como ver o sol se pondo. Parece que estamos na frente da TV vendo os créditos subindo, como no final de um filme que acabou sem avisar, mais a diferença é que esse filme foi agente que escreveu, a cada dia, a cada escolha e a cada palavra ele foi se concretizando e agora faz parte da nossa vida. Muitas falhas com certeza foram cometidas, mais elas não foram em vão, pois afinal a juventude foi feita pra isso. Correr riscos, descobrir coisas novas e se divertir.

Agora passamos a prestar atenção a coisas que antes nem dávamos bola, e rotulamos como fúteis coisas antes adoradas. Surgiram novas coisas e passamos a gostar de valores que antes não enxergávamos mais que sempre estiveram ali.

A verdade é que querendo ou não, crescemos e passamos para uma nova etapa da vida, que também vem com suas alegrias e dissabores.

A verdade de tudo isso é que fomos felizes, e somos felizes!


terça-feira, setembro 29, 2009


Em algum momento agente passa a entender o poder das palavras, o amor dos gestos.

É tão interessante como fotos, artigos, perfumes e mais um monte de coisas, tem o poder de marcar agente. Talvez esse seja o efeito que os cientistas não conseguem provar que existe em nós.

Não interessa se você esta gostando ou odiando um momento, ele vai ficar pra sempre guardado em você, pra voltar de repente e causar um turbilhão de sensações inenarráveis que nos pegam de surpresa e podem ate nos fazer chorar de tanta emoção

São sensações constrangedoras, gostosas, apavorantes, tristes, arrogantes e felizes!”

Um emaranhado de sentimentos misturados dentro de você e trazidos por uma simples nota musical, ou por uma leve brisa que trouxe o perfume de praia ou de fazenda. Emoções que caracterizam o seu passado, que é tudo que restou dos seus momentos já vividos, emoções que tem o poder de causar felicidade e saudade ao mesmo tempo. Emoções que nos revelam o quanto vale a pena viver em busca dessa tal felicidade, que não consiste em uma vida inteira, mais em pedaços de momentos, frações de segundos, que intensificam os nossos amores, revigoram a nossa alma e alimentam a vontade de vencer.

domingo, setembro 06, 2009

Guloseimas de Domingo!


Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.
Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector